BASTA!
De Reinaldo Simões.
Dia de chuva, ruas lotadas, camelôs atravancando a passagem e o supra-sumo da imbecilidade- guarda-chuvas abertos sob as marquises. Fruto sem sabor e rude alimento do que é ignóbil, oriundo da incivilidade, dos pensamentos gordos e preguiçosos. Bandeiras içadas tremulando suas ignorâncias multi-coloridas e provocando gritos fanáticos e absurdos, ecos das novelas de televisão, do “torce e sai sangue” dos jornais, dos filmes enlatados, da educação escolar sem escola e sem educação, da cervejada sem esperanças com beliscos de moela nos botequins. Das mortes nas filas dos hospitais sem gaze, sem antitetânicas, sem médicos, sem remédios, sem cura. Das invasões de privacidade e das gangues de pequenos ricos que por jamais terem lido um livro ou verdadeiramente conhecido alguma que coisa que amassem atacam pessoas do povo, sejam prostitutas ou trabalhadores formais.
Guarda-chuvas abertos sob as marquises em dias de chuva -representantes máximos de uma grosseria inabalável- do “nem te ligo” se te atropelei, se pisei no teu pé, se te empurrei e joguei tuas compras no chão. Daquele “que se dane!” se vi a criança –dos outros- levar tapa na cara e ser roubada por outras crianças, se fui roubado pelo estado, se roubei sem dar na vista, se sou mais “esperto” que você, se amo o que me disseram para amar, e se eu nem sei quem me disse para amar aquilo que nem conheço; -“Que se dane! Abro meu guarda-chuva porque chove e tenho um guarda-chuva, e é só! E não me encha o saco com esse blá, blá, blá, quem mandou botar essa marquise aí?”
Obtusos guarda-chuvas guardando tudo que termina em pizza, guardando a violência generalizada dos destinos medíocres, da pobreza de espírito, dos preconceitos ridículos, da falta de amor próprio e consequentemente da incapacidade de amor pelos outros. Infelizes guarda-chuvas abertos sob as marquises em dias de chuva.
BARRIGA DE FORA
VOU FICAR EM
ANJINHO DE ASA
A MAÇÃ É DOCINHA
DOU MEIA MORDIDINHA
EU ONTEM FUI NO SAMBA
FUI COM MINHA VÓ
NÀO SAMBEI
(Isabela 6 ANOS entrando no mundo da Poesia)
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